quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Quando é que o mundo ficou tão chato?

Muita gente reclama do impacto que as redes sociais estão tendo na vida das pessoas. O número gigantesco de conflitos, reivindicações, a ascensão e união de grupos que antes estavam condenados a ser sempre a minoria. Por outro lado, torna-se visível o cansaço, a vontade de sair do mundo, escapar. Aliás, quando foi mesmo que o mundo ficou tão chato? De repente, não vemos mais as pessoas do mesmo modo que antes. As brincadeiras da infância foram aos poucos sendo deixadas de lado – em alguns casos, até de maneira abrupta – para serem substituídas pelos inúmeros jogos da fase adulta. Agora julgamos, nos armamos, nos escondemos - e acusamos acima de qualquer coisa.

Machismo, racismo, homofobia. Querendo ou não, esses problemas estão presentes desde a infância, mas o olhar inocente impede que enxerguemos isso. A influência que os adultos possuem nessa fase é gigantesca, a ponto de mudar a cabeça de uma criança para sempre. Através do que se vê na televisão e se ouve dentro de casa, além de várias outras fontes, surgem pessoas que consideram o diferente errado, anormal. Surgem também as que não aguentam mais falar no assunto e desejam o escapismo, como se tudo fosse se resolver sozinho. O mundo sempre foi chato, nós é que não percebemos isso. Agora passamos pelas mesmas coisas que vários adultos antes de nós passaram, mesmo em épocas totalmente diferentes.

Vivenciamos o medo, a desconfiança e a segregação, mesmo que implícita. Você está de um lado, mesmo que não tenha escolhido esse lado. Até mesmo não fazer nada já te classifica como alguma coisa. Sim, o mundo já era assim antes. Para termos sido diferentes, para termos tido a menor chance de escaparmos disso, só se tivéssemos nos refugiado na Terra do Nunca, lugar onde jamais cresceríamos e conheceríamos a maldade. Lugar onde haveria o respeito às diferenças e estaria banida a exclusão de qualquer tipo. A ilha de Utopia.

Em meio a tantas brigas no Facebook, esse é um recado para quem não aguenta mais ouvir falar em todos esses temas polêmicos: isso vai continuar, até onde não der mais. O mundo já era assim, e eu fico repetindo isso como um mantra para você. O racismo não acabou com a escravidão, a homofobia não acabou com o beijo gay nas novelas, o machismo não acabou com a eleição da primeira mulher presidente, assim como tantas outras lutas. Certa vez, aprendi que para causar uma revolução é preciso ser radical. É preciso sair de um extremo ao outro para finalmente se chegar a um equilíbrio. Estamos vivendo uma época de revolução, a época da mudança de polos. Se tudo der certo, por mais que demore, um dia ainda vai haver um equilíbrio.

Às vezes me pego pensando nos primeiros anos da infância, quando não havia escola e tudo era mais fácil. Esses dias estão esgotados, e os dezoito anos batem à porta. Vê-se o mundo com clareza e tristeza, mas também com um pouco de esperança de que ele possa mudar. Enquanto houver preconceito, vai haver lutas, quer você queira ou não. Estamos todos em uma fase de transição. Se você não aceita e quer se afastar de tudo isso, pode se isolar em uma ilha deserta, a sua ilha. Não ligue a televisão, ignore as postagens no Facebook. Porque esses grupos ainda vão fazer muito barulho, e eles têm motivos para isso. Eles querem respeito, eles querem ser deixados em paz, assim como você. Não estão lutando por "nada", e sim pelo que merecem. Não julgue quem passa por problemas todos os dias e decide se unir a outras pessoas para enfrentar isso. Porque não, meus queridos: eles não estão de mimimi. Cada um lida com a realidade à sua maneira. Espero que você tenha maturidade para entender.


quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Já li: Diário de Uma Paixão, de Nicholas Sparks

“Não sou nada especial; disso estou certo. Sou um homem comum, com pensamentos comuns, e vivi uma vida comum. Não há monumentos dedicados a mim e o meu nome em breve será esquecido, mas amei outra pessoa com toda a minha alma e coração, e, para mim, isso sempre bastou”

Ah, o Diário de Uma Paixão... por que tão bom? Por que tão apaixonante, como o próprio nome já diz? O que você acabou de ler acima é uma breve descrição do personagem principal do livro, Noah Calhoun. Vindo de família humilde, trabalhador e morador de uma cidade do interior, ele conhece a bela e rica Allie durante as férias de verão na adolescência e os dois se apaixonam perdidamente. É então que a temporada passa e ambos se veem obrigados a se separar. O que ninguém esperava era que o sentimento fosse durar tanto tempo, levando Allie e Noah, catorze anos depois, a se reencontrar e procurar entender o que aconteceu com eles durante esse tempo.

A história começa de maneira bem simples. Nas primeiras páginas, Noah fala um pouco sobre si e reflete um pouco sobre sua vida, o passado e o presente. Porém, isso dura apenas instantes páginas. A partir do segundo capítulo, a narrativa é em terceira pessoa e os pontos de vista são alternados entre Noah e Allie, seus pensamentos e como foram os catorze anos nos quais estiveram separados. É importante lembrar que isso acontece durante a década de 40-50. Noah esteve presente na Segunda Guerra e, ao retornar, comprou e reformou a casa na qual um dia sonhou em viver com Allie. Ela, nessa mesma época, trabalhou em um hospital cuidando dos soldados feridos e acabou conhecendo o noivo, o famoso e bem-sucedido advogado Lon Hammond.

À primeira vista, o Diário de Uma Paixão parece conter mais uma história clichê sobre uma garota rica e um cara pobre ao qual a família não aprova e faz de tudo para que se afaste. No entanto, lá pela metade do livro, alguns elementos diferentes surgem. A essa altura, eu já estava totalmente envolvida pelo romance, torcendo para que desse certo. A história avança anos e anos novamente e Noah retoma a palavra, continuando a falar o que havia começado lá nas primeiras páginas. Ele ficou ou não com Allie? Ela largou o noivo para ficar com ele, ou decidiu voltar e seguir a vida que os pais sempre sonhara para ela?

Allie sempre foi uma mulher decidida e que sabia o que quer, mesmo que demorasse um tempo para admitir para si mesma. Apesar das piores circunstâncias, sempre fez de tudo para se manter forte. Foi anos depois, com a descoberta do Mal de Alzheimer, que ela foi realmente colocada à prova. É esse o ponto mais emocionante da história, a maneira com os problemas foram sendo enfrentados. A maneira como o amor de Allie e Noah supera tudo, mesmo o tempo, mesmo a distância, e até mesmo a doença. Lendo essa resenha, você pode pensar que isso é um enorme spoiler, que eu contei a história toda e que agora não vai ter mais graça. Mas acredite, vai. Mesmo com tudo isso, você ainda vai se surpreender, ansiar, torcer e se contorcer esperando pelos próximos acontecimentos.

É isso que o livro faz, mantendo a curiosidade ao longo das páginas e fazendo-as serem viradas e viradas até do desfecho final. O tempo todo me perguntava se histórias assim acontecem na vida real e não apenas na literatura e no cinema, esperando sinceramente que sim. Esperando sinceramente viver um amor assim.

Não hesite em ler o Diário de Uma Paixão, principalmente se você for do tipo de pessoa que é louca por romances. A edição que li é a econômica, mas ainda assim vale a pena. Peguei emprestado com uma amiga e achei a diagramação muito boa, com letras em tamanho confortável e bem impressas. As folhas são brancas e o livro não possui orelhas, algo com o qual muitas pessoas podem se incomodar, mas que não me incomodou nem um pouco. A editora está de parabéns por ter feito uma edição econômica com essa qualidade.

Ficha técnica
Título original: The Notebook
Autor: Nicholas Sparks
Publicado em: 1996
Quantidade de páginas: 208 (Edição econômica)
Editora: Novo Conceito


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